A gente nunca sabe se é hoje o dia de bater o dedo do pé na quina do sofá
e nem se o jarro de flores antiquado da vovó cairá no chão...
Ele pode ser feio, mas fazia parte do lugar.
Como uma bagunça organizada, como a feiura certa que embeleza.
Como a maquiagem borrada que da um certo charme:
se o borrão não for de choro, claro.
Aquela roupa guardada há anos atrás, que você nunca pensou que usaria, pode lhe cair bem agora.
São como os ideais antigos, que não servem pra nada durante muito tempo, mas quando voltam se encaixam perfeitamente na nossa boca, como palavras sábias no meio de pontos e vírgulas.
Interrogações e exclamações.
Mas no final, é sempre ponto e vírgula.
Dizem que, num sorriso falso, o lado esquerdo do rosto se pronuncia mais que o direito, e os olhos não semicerram como de costume.
Afinal, quando rimos de alegria, os olhos se fecham pra não ver o quê?
E quando rimos sem vontade, eles permanecem abertos por quê?
O dedo do pé pode bater na quina do sofá mais de uma vez, e um raio pode cair no mesmo lugar. São coisas que não dependem de ninguém, e não temos à quem reclamar.
Fica tudo muito mais fácil quando temos alguém pra reclamar.
E se Deus estiver offline, quem vai receber os meus recados?
As coisas boas só se tornam boas, porque algo já foi ruim.
As coisas ruins só são ruins, por que sabemos que existem coisas boas.
Se o mundo fosse só de coisas boas, talvez fosse tudo uma chatisse.
Se o mundo fosse só de coisas ruins, talvez nos contentaríamos...
afinal, só seria pior se o bom existisse.
Mas coisas boas existem.
E ruins também.
Mas é até bom.
A breve quietude da montanha russa é o tempero das quedas do carrinho instável e barulhento.
O que pode ser mais barulhento que nossos pensamentos?
De repente tudo cai, e devagar tudo sobe. Do jeito que deveria ser.
Do jeito que precisa ser.
Quando sorrimos, às vezes, o lado esquerdo se pronuncia mais que o direito.
Como o quente e o frio,
o doce e o amargo.
E eu gosto de café meio amargo.
Créditos a Gilberto, que me ajuda a buscar algo no meu baú de pensamentos fervilhantes.
domingo, 21 de dezembro de 2008
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Mto bom, chega a completar meu poema "O Lado Negro".
ResponderExcluiradoooooooooooooorei!!!!!!!
ResponderExcluir;)