segunda-feira, 6 de abril de 2009

E agora, para onde posso ir?

O dia veio vestido de alguma coisa
que me deixou sem dormir toda esta noite...
a manhã inteira, não soube o que fazer
durante a tarde, não entendi o que agora sou
E mais uma noite virá, continuo sem saber
o que faço, o que serei, e o que hei de fazer de meus segundos árduos
mais uma vez sem ter você.

Para onde posso ir, onde você não esteja?
Que o teu silêncio áspero não mais persista
que o teu olhar não mais me dê esperança
e que todo o medo de te perder por completo me abandone...

Que lembrar das tuas palavras tão frias ja não me machuquem dessa maneira
que minhas lembranças não mais tomem conta de mim...
e nem de toda a parte que desconheço.

Para onde vão todos os risos? As promessas escritas, faladas e imaginadas?
Pudera eu, deixá-las unicamente à você...
mas ja faz parte de mim
e de tudo que hei de ser.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Coisas que crianças sabem

Os carros estavam cobertos de neve, como nos filmes americanos que eu assistia. O frio que ardia no rosto era tão intenso, que as lágrimas desciam como se me obrigassem a chorar, pedindo pra voltar pra casa. À uma pessoa normal, nada poderia ser mais atraente do que um bom café-com-leite e a sensação quente de pesados cobertores sobre os ombros. Mas esse dia era diferente. Era inverno, sem dúvida; eu estava lá. Não era artificial como eu via nos parques de diversões, não era redondinha, feito uma bolinha de papel. A neve parecia uma flor bem pequenininha. Quando tocava na palma da minha mão, derretia-se em um tempo muito rápido. Eu não sabia contar os segundos, só sabia que era rápido. Eu vi a fumaça saindo da minha boca enquanto ria, o taxista xingando o carro que não dava partida e as árvores despidas, quase pedindo meu casaco emprestado... e pensei que aconteceria de novo: estaria acordando. Mas não acordei, não era um sonho. A florzinha branca se derreteu bem rápido na minha luva, como os flocos anteriores. A nevasca diminui, o motorista se acalma, as árvores pararam de uivar, e meus dentes de bater... percebi que a vida era muito mais do que fazer dever de casa e brincar na escola: a vida era mágica. Mas esquecer da magia pode ser pior que acordar de um sonho. Eu não sabia disso, quando tinha 5 anos. Minha mãe me puxou para dentro de casa, disse que o frio faz mal. Naquele tempo, se esconder do mundo debaixo de cobertas funcionava. Hoje eu sei disso.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

O que sempre sobra

Você era o café do meu leite
do leite de rosas que você prometeu:
'os espinhos não te furarão;
porque você é café-com-leite'.
Você bebia da minha xícara
o que eu roubava da sua,
você me deixava ficar completamente nua
e eu te fazia sorrir, despindo seu jeito mandão de dizer
que eu não fui feita pra você.

Me parecem tão estranhos agora
os lugares que me guiastes, e me apontava com sabedoria:
'Nem todo de pão é feito o homem
e nem só de amor vivo eu.'

Eu não cansava de te olhar, mesmo sabendo que o Sol cega os olhos depois de algum tempo.
Eu não cansava de pensar que o vento leva e trás a qualquer momento
o sorriso, o abraço, o beijo
mas só não me leva o pensamento.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Colecionadora de Sonhos

Eu colecionava minhas ilusões pobres e ridículas, guardando-as no bolso, como moedas que nos cai sem que percebamos, da calça jeans desbotada que não troco há anos. Você vai me ver gastando essas moedas a cada alegria alheia, sem motivo aparente, só por alguns minutos. Ou horas. Ou o número de dias que você me ver sorrindo por besteiras, ou simplesmente... por nada. Não sei se é um riso bonito, mas se assemelha com o original. Alguns produtos piratas não fazem tanta diferença assim, então o que custa gastar nossas moedas com eles?

Eu sentei na areia da praia, e pus minhas moedinhas fajutas no chão. A luz do luar refletia um prateado bonito por entre os grãos, e nas moedas, algumas lembranças indignas de lágrimas grossas. Era difícil olhar para todas elas, e entender a vida. Era mais dificil ainda, aceitar quando se entende. É como se fôssemos marionetes que nunca se encaixam no cenário perfeito, se não se encaixam em si mesmos.

Quantas vezes eu vou precisar enganar a mim mesma? Por que os outros, eu nem me importo. Vejam!!!! Como eu sou fraca e boazinha. Se você me bater, eu vou sentar e chorar, e esperar que alguém me dê a mão. Se você cuspir em mim, eu vou te atirar algumas palavras ásperas, virar as costas, e esperar que alguém diga que eu fiz a coisa certa.

Eu deito na areia macia da praia, e contemplo o manto azul escuro, com estrelinhas pequenininhas e brilhantes, pregadas por sabe-se lá quantos parafusos, quandos desejos ou quandos pedidos árduos. E o vento vai levando embora, aos poucos, as poucas moedas que me restaram.
O que mais pode ser ruim, além de ser nada? Por que sem meus sonhos, é isso que eu sou. O tempo os leva, mas eu tenho a impressão de que não foram embora pra sempre.

Preciso dos meus sonhos. Mesmo que eu tenha que pagar por eles. E eu não me importo se você me acha fraca. Você vai me ver séria demais, ou rindo demais e vai saber que sem querer, acreditei neles.

Ou talvez nem saiba!
Original ou Pirata, meus sorrisos estarão aí. Use e abuse enquanto durar. Quase não se percebe a diferença. Mas pra mim, vai ser sempre diferente.


Obrigada por ajudar, Gilberto!

domingo, 28 de dezembro de 2008

Impressões

Eu ando sempre com uma impressão de que esqueci de alguma coisa, e isso me incomoda.

Se levanto da cama, eu posso ter esquecido de pisar primeiro com o pé direito no chão. É que eu não sei por quê, acredito que dá sorte. Não sei porque acredito que dê sorte se não dá sorte. Mas pra me incomodar, eu devo ter esquecido algo mais importante. O que pode ser?

Quando saio de casa, tenho a impressão de que esqueci algo que faz muita falta. No meio do caminho, confiro: estou com a chave de casa, o dinheiro, e o celular. Do que mais posso precisar? Talvez saber aonde eu esteja indo... mas eu nem faço questão de saber.

Andando só, posso esquecer de olhar os carros antes de atravessar a rua. Mas agora, não vejo muito sentido nisso, o importante é que eu chegue. Em qualquer lugar.

Mas eu esqueci de alguma coisa... alguma coisa importante... o que?

Gosto de fazer macarronada. Quando fiz a minha hoje, tive a impressão de que esqueci o sal. Mas acho que foi só impressão, temperos não fazem diferença pra mim: nada tem sabor mesmo.

E na hora do banho, pus qualquer coisa na cabeça... afinal, que se renovem as idéias! Mas esqueci que lavar os cabelos com xampu restaurador não apaga as idéias antigas.

O sabão que cega meu olho, me fez pensar nas coisas certas das quais fechei os olhos pra não ver. Tudo passou, mas agora, não adianta abri-los, até porque vai continuar ardendo do mesmo jeito, aqui dentro.

Mas é quando eu fecho os olhos, que eu lembro do que fingi ter esquecido.

Eu esqueci de ligar pra ouvir tua voz, pra carimbar no meu rosto o sorriso de que preciso pra terminar o dia;
de perguntar se dormiu bem, se o resfriado passou e se sonhou comigo,
se a prova foi boa, o que fez hoje, se vai sair mais tarde...

Eu esqueci que mais tarde as coisas mudam.

Eu esqueci que as coisas são diferentes, agora.

Eu esqueci que você esqueceu de mim.
E eu não esqueci de você.

domingo, 21 de dezembro de 2008

O punhal

Aonde você está, afinal!?

Você se esconde por debaixo dessa armadura antiquada
de palavras repetidas e frases inacabadas...

Aonde está você, afinal!?

Você fazia de meus gritos, pontos positivos de seu jogo,
a cartada final para aumentar meu nojo.

Anda, você está quase lá!
Costurou por entre meus pensamentos, trilhas e trilhas de dúvidas...
mas você escolheu com cuidado (ou não), apenas um sentimento.

Os passos são firmes e apressados
como se corresse pra não desistir de algo...

FAÇA-O, se for preciso,
TERMINE-O, se for capaz.
Mas não deixe a oportunidade passar
e o seu ar risonho não voltar mais...

Eu deixo, acabe logo.

Rápido, eu nem vou sentir muita dor.
Rápido! Chegar até aqui foi um pouco difícil.
Rápido: antes que seja indolor.

As duas metades

Somos duas partes perdidas de nós mesmos,
que a coincidência não junta, apenas apresenta.
Como quando a segurança conhece o perigo.
E a felicidade, a tristeza.

Somos o preto e o branco
(como se fôssemos velhos, mas na verdade é apenas sabedoria)

A noite e o dia
(a noite: reprodução em câmera louca do que sonhamos de dia)

O escuro e o claro
(quando orgulho tenta esconder o que ja se viu)

O brigadeiro e o beijinho
(como o cacau que trás a paz que o beijo roubou)

O riso e o choro
(as duas faces num só olhar)

A verdade e a mentira
(na brincadeira de fazer dos dois, uma coisa só)

O pé que anda e recua
(no quente da cama que nos abraça no levantar)

A fidelidade que trai
(como tudo o que é sem querer)

A palavra que se pensa e não se diz
(a boca não fala, mas os olhos não escondem)

O que ja se tem e o que sempre quis.
(Afinal, o que você quer ser?)


Obrigada, Carlos, por estimular meu cérebro preguiçoso!